frequência de retorno
De quanto em quanto tempo visitar cada cliente
A pergunta parece simples, mas errar nela custa caro dos dois lados: visita demais com quem compra pouco, e visita de menos com quem sustentaria seu mês.
Todo representante autônomo já perdeu um pedido porque chegou tarde num cliente bom — e já gastou uma manhã inteira com três clientes que juntos não pagam a gasolina. As duas coisas têm a mesma raiz: frequência de visita definida no chute, ou pior, a mesma para a carteira inteira.
A regra de ouro: frequência acompanha o giro
O cliente não precisa de você num calendário fixo. Ele precisa de você um pouco antes de o estoque acabar. Se você chega e ele ainda tem produto na prateleira, veio cedo. Se chega e faltou, veio tarde — e provavelmente ele comprou do concorrente enquanto isso.
Então a frequência certa sai do intervalo médio entre as compras daquele cliente. Olhe o histórico: se ele fecha pedido a cada 20 dias em média, uma visita a cada 15 a 18 dias te põe na porta no momento em que a compra está madura.
Segmente a carteira antes de definir intervalos
A curva ABC continua sendo o jeito mais rápido de organizar isso. Divida a carteira pelo quanto cada cliente representa do seu faturamento:
Clientes A — os que sustentam o mês
Alto giro, ticket alto. Visita a cada 7 a 15 dias. São poucos e valem muito: aqui atraso é venda perdida na hora.
Clientes B — o corpo da carteira
Giro médio. Visita a cada 21 a 30 dias. A maioria dos seus clientes cai aqui, e é onde a rotina bem ajustada mais rende.
Clientes C — os de manutenção
Baixo giro ou compra esporádica. Visita a cada 45 a 60 dias. Não abandone, mas não gaste com eles a visita que um A precisava.
Esses números são ponto de partida, não lei. Um cliente C que fica bem no meio do seu roteiro para um A pode ser visitado de passagem; um B em outra cidade talvez precise de um intervalo maior só pela logística.
O potencial pesa tanto quanto o histórico
Cuidado com uma armadilha: cliente novo, ou cliente que poderia comprar muito mais, não tem histórico que reflita o potencial. Se você sabe que aquele mercado tem porte para dobrar o pedido, trate-o como A mesmo que hoje ele compre como B. Frequência também é investimento em relacionamento, não só resposta ao giro atual.
O problema não é definir — é lembrar
Aqui está a parte que ninguém conta: definir a frequência é a parte fácil. O difícil é lembrar de 80, 150, 200 prazos diferentes, cada cliente no seu ciclo, enquanto você dirige, atende telefone e negocia. É por isso que a maioria acaba visitando por memória e proximidade — e a memória sempre favorece o cliente simpático, não o lucrativo.
Uma carteira de 150 clientes com frequências entre 15 e 60 dias gera dezenas de visitas vencendo por semana. Nenhuma cabeça humana rastreia isso sem falhar.
A conta que resolve é simples e mecânica:
última visita + frequência = próxima visita. Quando a data passa, o cliente
fica pendente. Feita a visita, o relógio reinicia sozinho. O que muda tudo é ter algo que
faça essa conta para cada cliente e te avise — em vez de você tentar guardar de cabeça.
Perguntas frequentes
De quanto em quanto tempo devo visitar um cliente?
Depende do giro e do potencial, não de uma regra única. Cliente A de alto giro: 7 a 15 dias. Cliente B: 21 a 30 dias. Cliente C de baixo giro: 45 a 60 dias. O melhor ponto de partida é o intervalo médio entre as compras dele.
Como calcular a frequência ideal de visita?
Calcule o intervalo médio entre os pedidos no histórico e visite um pouco antes disso. Ajuste com o tempo: sobra estoque quando você chega, espace; falta produto, aproxime.
Vale a pena usar a mesma frequência para todos?
Não. Intervalo único faz você gastar visita demais com quem compra pouco e de menos com quem compra muito. Segmente e dê a cada faixa a sua frequência.
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